Ela alçou voo pulando do penhasco. Foi
uma linda cena... A pequena garota correu, e ao chegar à beirada, estendeu os
braços e pulou. Suas asas vieram logo depois, brilhando com a luz do sol. Ela
cruzou os céus com tamanha rapidez que nem a mais rápida ave de rapina seria
capaz de alcançá-la, nem mesmo o mais forte dragão detê-la. Não quando se
tratava do seu guerreiro abissal estar em perigo.
Ela parou no ar, suas asas brancas se
mexendo. Então ela plainou com elas até chegar ao chão, onde pousou graciosamente
e retirou as espadas da cintura.
Lá estava ele, ferido, sendo atacado
covardemente enquanto estava no chão.
- Malditos!
Ela gritou, e correu em direção aos
monstros. Até mesmo seu rosto se transformou. Havia agora não uma doce
expressão, mas sobrancelhas arqueadas e dentes cerrados. Com uma lufada de ar
das asas, desestabilizou as feias criaturas para depois se lançar em um voo
rasante incrível, acertando-as em cheio com as espadas gigantes. Não demorou a
chegarem mais, e ela fez o mesmo com todas elas, até estar arfando.
A sacerdotisa correu para o mercenário
deitado no chão, com a mão na barriga ensangüentada. Aguente, ela pediu enquanto corria; se ajoelhou ao lado dele, tirou
os cabelos da frente de seus olhos e fitou-o com o mais doce e puro olhar de
amor já visto em toda a face da terra. Mesmo que ela não tivesse poderes
curativos, ele poderia ser curado apenas com aquele olhar.
Ela fechou os olhos e juntou as mãos.
Logo, todas as cores que podiam imaginar se juntaram em uma esfera brilhante ao
redor dos dois. Depois de alguns minutos, elas sumiram e ela abriu os olhos.
Agora só havia sangue na sua roupa, mas nenhuma ferida.
A sacerdotisa sorriu infantilmente e
balançou as asas.
- Obrigado – ele sussurrou, se
levantando.
- Ah! Guerreiro, não acha que já chega?
- Do que está falando? – ele fez uma
careta.
- De guerras, roubos e matança. Chega.
- Ah – ele disse, finalmente entendendo
– eu preciso ser assim pra continuar vivo. Não sou como você.
- Já chega de guerras – ela insistiu –
não precisa mais lutar. Essa sacerdotisa tem asas grandes o suficiente para te
proteger.

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