sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Asas


Ela alçou voo pulando do penhasco. Foi uma linda cena... A pequena garota correu, e ao chegar à beirada, estendeu os braços e pulou. Suas asas vieram logo depois, brilhando com a luz do sol. Ela cruzou os céus com tamanha rapidez que nem a mais rápida ave de rapina seria capaz de alcançá-la, nem mesmo o mais forte dragão detê-la. Não quando se tratava do seu guerreiro abissal estar em perigo.
Ela parou no ar, suas asas brancas se mexendo. Então ela plainou com elas até chegar ao chão, onde pousou graciosamente e retirou as espadas da cintura.
Lá estava ele, ferido, sendo atacado covardemente enquanto estava no chão.
- Malditos!
Ela gritou, e correu em direção aos monstros. Até mesmo seu rosto se transformou. Havia agora não uma doce expressão, mas sobrancelhas arqueadas e dentes cerrados. Com uma lufada de ar das asas, desestabilizou as feias criaturas para depois se lançar em um voo rasante incrível, acertando-as em cheio com as espadas gigantes. Não demorou a chegarem mais, e ela fez o mesmo com todas elas, até estar arfando.
A sacerdotisa correu para o mercenário deitado no chão, com a mão na barriga ensangüentada. Aguente, ela pediu enquanto corria; se ajoelhou ao lado dele, tirou os cabelos da frente de seus olhos e fitou-o com o mais doce e puro olhar de amor já visto em toda a face da terra. Mesmo que ela não tivesse poderes curativos, ele poderia ser curado apenas com aquele olhar.
Ela fechou os olhos e juntou as mãos. Logo, todas as cores que podiam imaginar se juntaram em uma esfera brilhante ao redor dos dois. Depois de alguns minutos, elas sumiram e ela abriu os olhos. Agora só havia sangue na sua roupa, mas nenhuma ferida.
A sacerdotisa sorriu infantilmente e balançou as asas.
- Obrigado – ele sussurrou, se levantando.
- Ah! Guerreiro, não acha que já chega?
- Do que está falando? – ele fez uma careta.
- De guerras, roubos e matança. Chega.
- Ah – ele disse, finalmente entendendo – eu preciso ser assim pra continuar vivo. Não sou como você.
- Já chega de guerras – ela insistiu – não precisa mais lutar. Essa sacerdotisa tem asas grandes o suficiente para te proteger. 

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