segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


- Como assim anoiteceu?
Ela estava estática. Estática. Os pés não podiam se mexer, as mãos não paravam de tremer e a respiração dela aumentava a um nível maior do que “ofegante” a cada minuto.
Sim. Belovedland estava escura. Tão sombria, tão sem cor... Apenas um tom azul escuro caindo como um véu sobre o paraíso que um dia fora dela. As arvores murchavam, e as folhas marrons cobriam o chão. A água não corria mais ou fazia aquele lindo som como antes. A cachoeira estava morta e a água parada. Até mesmo aquele pouco de lodo que cobria as pedras e as fazia ainda mais bonitas estava com um tom acinzentado... Tudo estava morrendo.
Até mesmo o sol, que nunca abandonara Belovedland, estava tão apagado que se perdia entre o escuro do céu. Algumas estrelas sobraram e iam apagando lentamente. A brisa, aquela brisa fresca e refrescante com vapor de água que sempre brincara com os cabelos dela havia dado lugar a um ar quente e abafado...
Por que?
Ela amava o lugar com todas as forças. Caiu de joelhos na grama e em um gesto doloroso, arrancou os resquícios de um paraíso e deixou-os entre as mãos. Estava acabado. Ela havia deixado o lugar morrer. Era culpa dela...
Quando a canção não pôde mais ser ouvida, ela deixou o lugar abandonado. O amor nutria o verde das árvores e limpava as águas, mas o amor morreu... O amor morreu e levou o paraíso junto, como uma grande bola de neve que derreteria e espalharia suas dores, junto com as palavras que vazaram em um buraco no peito.
Adeus. Era a penúltima palavra, adeus. Não havia mais nada do que ela podia fazer. A ultima o vento soprou com tristeza... Amado...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Asas


Ela alçou voo pulando do penhasco. Foi uma linda cena... A pequena garota correu, e ao chegar à beirada, estendeu os braços e pulou. Suas asas vieram logo depois, brilhando com a luz do sol. Ela cruzou os céus com tamanha rapidez que nem a mais rápida ave de rapina seria capaz de alcançá-la, nem mesmo o mais forte dragão detê-la. Não quando se tratava do seu guerreiro abissal estar em perigo.
Ela parou no ar, suas asas brancas se mexendo. Então ela plainou com elas até chegar ao chão, onde pousou graciosamente e retirou as espadas da cintura.
Lá estava ele, ferido, sendo atacado covardemente enquanto estava no chão.
- Malditos!
Ela gritou, e correu em direção aos monstros. Até mesmo seu rosto se transformou. Havia agora não uma doce expressão, mas sobrancelhas arqueadas e dentes cerrados. Com uma lufada de ar das asas, desestabilizou as feias criaturas para depois se lançar em um voo rasante incrível, acertando-as em cheio com as espadas gigantes. Não demorou a chegarem mais, e ela fez o mesmo com todas elas, até estar arfando.
A sacerdotisa correu para o mercenário deitado no chão, com a mão na barriga ensangüentada. Aguente, ela pediu enquanto corria; se ajoelhou ao lado dele, tirou os cabelos da frente de seus olhos e fitou-o com o mais doce e puro olhar de amor já visto em toda a face da terra. Mesmo que ela não tivesse poderes curativos, ele poderia ser curado apenas com aquele olhar.
Ela fechou os olhos e juntou as mãos. Logo, todas as cores que podiam imaginar se juntaram em uma esfera brilhante ao redor dos dois. Depois de alguns minutos, elas sumiram e ela abriu os olhos. Agora só havia sangue na sua roupa, mas nenhuma ferida.
A sacerdotisa sorriu infantilmente e balançou as asas.
- Obrigado – ele sussurrou, se levantando.
- Ah! Guerreiro, não acha que já chega?
- Do que está falando? – ele fez uma careta.
- De guerras, roubos e matança. Chega.
- Ah – ele disse, finalmente entendendo – eu preciso ser assim pra continuar vivo. Não sou como você.
- Já chega de guerras – ela insistiu – não precisa mais lutar. Essa sacerdotisa tem asas grandes o suficiente para te proteger. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Welcome!

Um oi à você que está lendo isso! Seja bem vindo
Nesse blog vamos estar postando fanfics de jogos em geral, primeiramente de Perfect World. Se alguém estiver interessado em ter sua fanfic/texto postado aqui, fale comigo.
Não posso garantir postagens frequentes, mas sempre que puder estaremos atualizando. 
Beijo!

Sacrifício



Se você olhar para aquele penhasco, aquele mais alto e mais verde, todas as manhãs, você será capaz de ver um ser alado, com as asas estendidas, deixando-se ser levadas pelo vento. Um anjo, você diz. Talvez. A resposta depende do seu ponto de vista.
É uma mulher. Alguns a conhecem por Sacerdotisa, outros, por Diplomata da Paz. De qualquer forma, é sempre a mesma. Ela tem vários protegidos... Mas existem apenas dois pelos quais ela daria a vida. Esses dois têm o mesmo nome e o mesmo oficio – matar. Por que ela os protege? Ela argumenta toda vez que são os guerreiros que mais precisam de proteção. Só talvez.
Um deles a abandonou, pediu para ela ir embora. E em uma daquelas manhãs ela estava pensando nele. Havia voado até o lugar preferido dos dois – uma cachoeira, grama verdejante, árvores frondosas e apenas o barulho dos pássaros e da água.  Mas ele não estava lá. Já fazia um tempo que ele nunca estava lá, nem mostrava interesse em ir.
A sacerdotisa era recrutada por vários guerreiros, de todas as classes, todos os dias. Era seu dever e também seu prazer ajudar. Seria por isso que seu mercenário se afastou? Mas ela estava tentando. Tentando veentemente ter tempo para ele e protegê-lo, mas ultimamente ele só havia fugido ou ficado calado. E apesar de tudo, ela continuava o amando.
Ela ficou de pé e se jogou do penhasco. A poucos metros do chão, ela abriu as asas. Ela não poderia morrer enquanto os dois estivessem vivos.
Seu coração guiou-a até ele. Nem mesmo ela soube como. Ela apenas parou no ar e o avistou, lutando ousadamente contra um exercito. Seus inimigos atiraram lanças contra ele, e mais rápido do que qualquer um deles pudesse ver, ela criou uma barreira protetora com suas asas e seu corpo. A chuva de flechas acertou-a nas costas e feriu suas asas. Ela caiu de joelhos no chão.
- Lute! – ela gritou, quando percebeu ele hesitar – Lute ou nós dois morreremos!
Por incrível que pareça, seu amado mercenário enfrentou aquele exercito inteiro sem nenhum arranhão. Ela estava protegendo-o, mas mais fortemente do que protegia os outros, sua energia minada até o fim. Ela caiu, exausta, e as cores envoltórias da sua proteção sumiram do corpo dele.
- Você está bem? – ele perguntou, ajoelhando-se e erguendo a cabeça dela.
- Sim, estou bem. – ela tocou o rosto dele. – Eu consegui proteger você...
- Não, não está bem. Por que fez isso por um mercenário ladrão como eu?
- Por que eu vivo para defendê-lo, não importa o que seja... Sempre há um coração aqui dentro. – ela tocou o peito dele e sorriu.
- Você é uma sacerdotisa, cure-se. – ele ordenou.
- Não tenho forças...
- Você nunca tem. Nunca consegue proteger a si mesma.
- Meu dever é proteger, e se necessário, dar a vida por você. É por isso que fui criada.
- Você não pode morrer!
- Não enquanto vocês estiverem vivos.
Ele pegou-a no colo, manchando as mãos e o peito com o sangue dela. Ela ia viver, ia viver enquanto pudesse ouvir os batimentos cardíacos daquele coração.