segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


- Como assim anoiteceu?
Ela estava estática. Estática. Os pés não podiam se mexer, as mãos não paravam de tremer e a respiração dela aumentava a um nível maior do que “ofegante” a cada minuto.
Sim. Belovedland estava escura. Tão sombria, tão sem cor... Apenas um tom azul escuro caindo como um véu sobre o paraíso que um dia fora dela. As arvores murchavam, e as folhas marrons cobriam o chão. A água não corria mais ou fazia aquele lindo som como antes. A cachoeira estava morta e a água parada. Até mesmo aquele pouco de lodo que cobria as pedras e as fazia ainda mais bonitas estava com um tom acinzentado... Tudo estava morrendo.
Até mesmo o sol, que nunca abandonara Belovedland, estava tão apagado que se perdia entre o escuro do céu. Algumas estrelas sobraram e iam apagando lentamente. A brisa, aquela brisa fresca e refrescante com vapor de água que sempre brincara com os cabelos dela havia dado lugar a um ar quente e abafado...
Por que?
Ela amava o lugar com todas as forças. Caiu de joelhos na grama e em um gesto doloroso, arrancou os resquícios de um paraíso e deixou-os entre as mãos. Estava acabado. Ela havia deixado o lugar morrer. Era culpa dela...
Quando a canção não pôde mais ser ouvida, ela deixou o lugar abandonado. O amor nutria o verde das árvores e limpava as águas, mas o amor morreu... O amor morreu e levou o paraíso junto, como uma grande bola de neve que derreteria e espalharia suas dores, junto com as palavras que vazaram em um buraco no peito.
Adeus. Era a penúltima palavra, adeus. Não havia mais nada do que ela podia fazer. A ultima o vento soprou com tristeza... Amado...

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